Fabio Mauri (Senza Arte)

Cucina o La questione tedesca (Senza Arte), 1990, Cucina o La questione tedesca (Senza Arte), 1990
11 de março - 29 de abril, 2017

Press Release

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Artista: Fabio Mauri

Bergamin & Gomide tem o prazer de apresentar a partir de 11 de março a primeira exposição individual no Brasil do artista italiano Fabio Mauri (1926 – 2009), o qual participou em 2012 da dOCUMENTA (13), em Kassel, além de seis edições da Bienal de Veneza (1954, 1974, 1978, 1993, 2013, 2015). A mostra FABIO MAURI (SENZA ARTE) foi realizada em parceria com Hauser & Wirth e organizada com Olivier Renaud-Clément.

Mauri nasceu em Roma, em 1926, e teve sua vida e obra marcadas pelo fascismo, a Segunda Guerra Mundial e os horrores do holocausto. Sua família era proprietária de uma das editoras mais importantes de literatura no país, por consequência, Mauri foi criado entre escritores e artistas e naturalmente se tornou amigo próximo de intelectuais e grandes nomes da vanguarda italiana do pós-guerra, como Ítalo Calvino, Umberto Eco, Pier Paolo Pasolini e Jannis Kounellis.

No final dos anos 1950, Mauri inicia sua produção artística em formatos tradicionais, como pinturas em telas e desenhos em papéis. Desde então, sua obra já tinha grande preocupação com questões ideológicas e políticas, o que foi acentuado nas décadas seguintes com o desenvolvimento da sua produção em formatos mais contemporâneos, em particular seu interesse pela “imagem projetada” e pela “tela escura” do cinema e da televisão – através de vídeos e projeções. O elemento da tela é usado de diferentes formas; imagens sendo centrais nas projeções e representações são frequentemente anuladas para reforçar o seu peso. Enquanto a tela pode simplesmente ser representada sem nenhuma imagem, o corpo seria usado para receber a projeção. Mauri também se interessava pelo elemento cênico, que se dava através da inserção do público dentro da obra em suas ações/performances e instalações, seja de forma participativa ou apenas como observador.

Para a exposição na galeria, 25 obras foram selecionadas, sobretudo das séries Senza Arte e Photo finish/Carboncini. Os carpetes Zerbini, seu último grupo de trabalhos, criados para a dOCUMENTA (13), dirigida por Carolyn Christov-Bakargiev, ocuparão o centro da exposição: dois carpetes de grandes dimensões, com as frases  Forse l’arte non è autonoma  [Talvez a arte não seja autônoma] e Non ero nuovo [Eu não era novo]. Também no salão principal estarão, entre outras obras, as instalações On the Liberty (1990), com a frase escrita com um fio elétrico que acende uma lâmpada e Ventilatore (1990), que possui um ventilador posicionado à frente de uma tela. No segundo ambiente serão apresentados treze trabalhos da série Photo Finish (1976), em que objetos são colocados à frente de um segundo plano em preto. A última sala foi reservada para uma projeção do vídeo Seduta su l’ombra, de 1977. O recorrente tema de Fine/The End será apresentado ao longo de toda a exposição, como costuma ser o caso do final da maioria dos filmes clássicos. Todos os trabalhos são inéditos no Brasil e retratam um recorte abrangente da obra do artista.

Trabalhando em paralelo aos principais movimentos artísticos da época, como a Pop Art e a Arte Povera, Mauri colocou em discussão o papel da comunicação midiática como formadora da sociedade lá na década de 1960, quando a televisão ainda dava os primeiros passos. Enquanto artistas na Europa e nos Estados Unidos exploravam as nuances do consumismo e dissecavam os materiais essenciais da criação artística, Mauri abria frente para um questionamento que iria além da estética e da representação: como dar forma a algo tão abstrato como uma ideologia? Qual o papel do artista, do público e da mídia dentro dessa discussão? A problemática que o artista investigou por tantos anos é um assunto extremamente atual nos dias de hoje, sua obra reflete pontos cruciais da vida em sociedade e do pensamento do homem moderno.

Recentemente, em 2014, Fundacio Proa, em Buenos Aires, recebeu uma importante retrospectiva de Mauri. Em 2015 a obra Il Muro Occidentale o del Pianto [O muro ocidental ou das lamentações], de 1993, ocupou a primeira sala do pavilhão central na 56a Bienal de Veneza, com curadoria de Okwui Enwezor. No mesmo ano o artista participou também pela primeira vez da Bienal de Istambul. Seu trabalho integra grandes coleções de museus em toda a Europa.

On the Liberty (da 'Interno/Esterno'), 1990
Grande Monocromo 2 (Senza Arte), 1990
Forse l'arte non è autonoma, 2009
Ventilatore (Senza Arte), 1990
Seduta su l'ombra, 1977
Vista da exposição (Installation view)
Vista da exposição (Installation view), Vista da exposição (Installation view)
Vista da exposição (Installation view)
Vista da exposição (Installation view)